sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Cesare Battisti, ativista político ou criminoso comum?

A polêmica em torno da extradição de Cesare Battisti gerou muito constrangimento para o governo brasileiro e agora o presidente Lula decidiu por não atender ao pedido da Itália e deixá-lo por aqui, no Brasil. Se foi uma decisão acertada ou não, bem, isso cabe somente ao presidente, esta decisão é de caráter ideológico.

Lula não precisava disso, mas ele se respaldou em um parecer do Advogado-Geral da União, ministro Luís Inácio Lucena Adams; “Conclui-se que há ponderáveis razões para se supor que o extraditando possa ser submetido a agravamento de sua situação pessoal. E que, se plausível a premissa, deve-se aplicar o tratado, no sentido de se negar a extradição, insista-se, por força de disposição do próprio tratado, que confere discricionariedade, ao Presidente da República, nos termos do já referido tratado”, palavras de Adams em seu parecer.

Baseado no parecer do ministro fica a impressão que na Itália ele não teria garantias a sua vida, garantias que devem ser inerentes a qualquer governo democrático. Com este parecer o atual governo equipara as instituições italianas às da Coréia do Norte, do Irã e de Cuba. É compreensível, pois, o nosso presidente já comparou um ativista cubano em greve de fome com criminosos comuns.

Como já explicitei antes, é uma questão ideológica e não há nada que desabone a decisão tomada por Lula, o que devemos lamentar são os argumentos utilizados para fundamentar a decisão. Um parecer primário e inconsistente. Seria melhor que Lula nos prestigiasse com uma parábola futebolística. Aos menos, seria bastante engraçado, o povo adora.

Bem, creio que todos sabem sobre o passado de Cesare Battisti, é um escritor italiano, antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo armado de extrema esquerda, ativo na Itália no fim dos anos 1970 – os chamados anos de chumbo – período marcado por ataques terroristas de organizações da extrema esquerda e da extrema direita. Em 1987, Battisti foi condenado pela justiça italiana à prisão perpétua, com privação de luz solar, pela autoria direta ou indireta dos quatro homicídios atribuídos aos PAC – além de assaltos e outros delitos menores, igualmente atribuídos ao grupo. O governo italiano considera Cesare Battisti um ex-terrorista. No entanto, Battisti se diz inocente.

Diferentemente do que acontece aqui no Brasil, lá na Itália não houve a anistia política. A anistia política ocorrida no Brasil, para quem não sabe, foi um processo no qual todos os crimes, ocorridos sob a alegação de estarem defendendo causas políticas e ideológicas, foram perdoados. O perdão coube aos dois lados, os militares e os guerrilheiros. A indulgência, no caso brasileiro, caiu sobre todos os crimes cometidos, não diferenciando os níveis; sequestro, roubo, assassinato e a tão famosa tortura. No Brasil há ex-terroristas na atual administração e muita gente que pertenceu a ditadura militar também. Na Itália não ocorreu o mesmo. Por lá, ainda, crime é crime e não importam os meios que justificassem a sua execução.

Portanto, para o governo petista, Cesare battisti é um perseguido político e para os italianos e parentes das vítimas trata-se de um criminoso comum. Está claro e transparente como água, que Lula tem a prerrogativa de conceder ao italiano a guarida brasileira, este é um direito que lhe assiste e ninguém deve recriminá-lo. Mas eu gostaria de ver o mesmo ímpeto no episódio em que os cubanos foram caçados pela polícia federal e deportados para Cuba novamente, lembram-se? Será que Lula se preocuparia tanto com a integridade física, psicológica e moral de Battisti se ele fosse um cubano em terras brasileiras? Fica esta pergunta para refletirmos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

São Paulo das enchentes.


São Paulo da garoa. Acho que todos já ouviram esta frase. Esta magnífica cidade ficou famosa com ela. Antigamente éramos lembrados como o povo da cidade da garoa. Hoje a situação é bem outra. São Paulo a terra das enchentes. É lamentável, mas somos conhecidos como o povo que vive com enchentes infindáveis. Todos os anos o caos paulistano se repete. O verão em São Paulo é sinal de enchentes, sofrimento e transtornos para toda a população.

A localização da cidade de São Paulo e também da região metropolitana é ideal para que haja enchentes. Mas as fortes chuvas e a localização dos municípios não justificam o sofrimento do povo. Os principais problemas que causam as enchentes (além das chuvas, é claro) resumem-se a dois: As opções erradas dos políticos e a má educação do povo.

São Paulo uma cidade que cresceu sem planejamento. Com um crescimento desordenado e políticas equivocadas em relação às leis de zoneamento, nossa cidade e região atingiram o estado de calamidade em que nos encontramos atualmente. Poucos governantes foram sensíveis nessa área. Paulo Maluf com todos os seus defeitos foi ao lado do saudoso Mário Covas um dos poucos que realmente tentaram resolver essa questão.

Querendo ou não, as obras realizadas no rio Tamanduateí resolveram a situação das regiões vizinhas. Mas, casos à parte, é bem mais rentável para um prefeito gastar milhões com pontes e viadutos, CEUS, obras que lhe dão um ótimo retorno eleitoral do que enterrar milhões de reais canalizando rios e com obras extremamente necessárias como o desassoreamento de rios e córregos. Sim, rios e córregos têm de ser limpos e rebaixados.

Há locais em que não se pode permitir a ocupação, mas isso subtrai muitos votos, é melhor não mexer. Picuinhas políticas fizeram da grande São Paulo o que vemos hoje, se um político começa uma obra o outro não dá seguimento. Prefeitos que fogem as suas atribuições, um caso emblemático e o do metrô de São Paulo, não havia a necessidade de o senhor Gilberto Kassab destinar hum bilhão de reais para estas obras. Talvez se tivesse ele investido em pontos onde ocorrem alagamentos fosse melhor para o povo. Pois, todos nós sabemos onde é que alaga, não há segredos, as enchentes ocorrem sempre nos mesmos pontos da cidade. É uma questão de administração, uma questão de prioridades.

Mas podemos culpar somente os políticos? Claro que não. Todos somos culpados, cada cidadão tem a sua parte de responsabilidade em relação ao que acontece com a cidade. O lixo jogado nas ruas, em terrenos baldios e especialmente nos rios e córregos é um dos principais fatores que causam as enchentes. Cada papel de bala jogado nas ruas volta para você. A má educação do paulistano e do paulista é um dos principais fatores que causam enchentes na bela e maltratada São Paulo. Por favor, não vamos culpar somente os nordestinos e os pobres. Muita gente rica e bem-instruída polui a cidade também. Portanto é dever do estado e do povo também, zelar pelo bem de São Paulo. A responsabilidade é de todos nós. Vamos cuidar melhor da cidade.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Vidraça (Texto de Autor Desconhecido)


Cuidar da vida dos outros, tomar decisões sem saber ao certo o real motivo das coisas. Este belo texto de autor desconhecido nos alerta para tudo isso. Às vezes é bom sermos prudentes e respeitarmos mais o próximo.

Um casal, recém-casado, mudou-se para um bairro muito tranqüilo.
Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:
- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!
- Está precisando de um sabão novo.
Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

O marido observou calado.

Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:
- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos!
Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.

Passado um mês a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:
- Veja, ela aprendeu a lavar as roupas, Será que a outra vizinha ensinou??? Porque eu não fiz nada.

O marido calmamente respondeu:
- Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

E assim é.
Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos.
Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir;
verifique seus próprios defeitos e limitações.
Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós mesmos.
Só assim poderemos ter real noção do real valor de nossos amigos.

Lave sua vidraça.
Abra sua janela.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O DEFUNTO (Thomaz Lopes)


Quando ele despertou, deitado ao comprido num estreito caixão negro e dourado, tinha as mãos postas numa derradeira prece. Lançou vagamente os olhos em torno, e em torno tudo era silêncio e treva. Procurou levar as mãos aos olhos, mas sentiu as mãos presas, sem movimento; e parece-lhe então que estava morto.

Como é pesado o ar que respira! Como é profunda a escuridão que o encerra! E onde está? No seu quarto? No seu leito? Que estranha cama, estreita e dura! E por que dorme calçado? E que vestes tão solenes! Terá vindo ébrio de alguma festa? E as mãos amarradas! E que falta de ar! Ah! que dolorosa e lenta agonia

De novo distendeu os braços; mas a fita que os unia partiu-se, e as mãos geladas bateram de encontro às tábuas. Passou os frios dedos pelo rosto e retirou-os espantado, sentindo a face morta como a de um cadáver. Veio-lhe à memória uma vaga lembrança de moléstia e de perda de sentidos.

E sentiu sobre si uma tampa, uma tampa de caixão, de caixão de defunto!

Um medo contínuo de si próprio, um indefinível asco do "cadáver" que sente a seu lado, assoberba-o. Rebenta o caixão, levanta-se, quer correr, mas bate de encontro a uma parede, uma fria e cinzenta parede de mármore. Rápida e rija vem-lhe a certeza de estar enterrado vivo, prisioneiro da morte, atirado num calabouço. No silêncio e na treva, entre a loucura e a morte, dá dois passos, mas tropeça. Que será?

E como seus pés tateassem na sombra, encontraram um degrau que subiram; depois, outro mais outros, outros ainda. Oh! que sepultura profunda! Erguendo as mãos para o céu que está tão longe dos abismos, sentiu nas mãos a fria laje do teto.

- Em vão tenta erguê-la. Respira a longos haustos por uma fresta aberta na pedra. Um novo esforço para erguê-la: em vão! - Uma sepultura de mármore, como que para guardar o corpo aos vermes e ao pó; uma fresta por onde apenas entra o ar que prolonga a vida ao condenado; uma escada que os passos sobem e inutilmente descem; uma laje que se levanta para enterrar os mortos e que se não ergue para salvar os vivos; - oh! essa sepultura é com certeza uma sepultura de igreja

E novamente luta para erguer a pedra, mas com o esforço inútil, vem o cansaço, vem o abatimento, vem o desânimo. Então como o inconsciente ou o muito atilado, que vendo abertos os braços lívidos da Morte, em vez de fugir, aos braços se atira, ele resignadamente desce. Ao descer alucinado e cego, bate com o corpo no mármore da parede, e grita. A sua voz sobe e desce, abafada como o eco de um trovão distante encerrado' numa gruta profunda. Agora, sereno e calmo, como quem leva um sol apagado no coração e uma estrela sem luz em cada olhar, sobe de novo os degraus da Vida e da Morte. Nos primeiros momentos, com a calma e serenidade com que subira, junto ao intento a sua força, mas a pedra permanece impassível. A angústia do sofrimento prolongado destrói-lhe o sossego da ação; com um doloroso esforço, ingurgitadas as veias, os músculos retesados na onipotência da sua própria força, os olhos saltando das órbitas, procura num ansiado desespero levantar a pedra que talvez para sempre o encerra. Trabalho inútil! Parece que o pranto preso na garganta vai sufocá-lo, - e sente uma a uma ensangüentarem-se, dilacerarem-se, largarem-lhe da carne as unhas. Impossível!

Exausto de fadiga e dor, deixa-se abater, e o seu corpo doente, rolando de degrau em degrau como um fardo sinistro, vai parar ao pé da parede cinzenta e fria..

Veio o sono. Veio seguindo a nébula do sono a doida fantasia do sonho.

Era vago e tênue. Mas porque tão vago fosse e tão tênue, quase sem torturas, o Espírito-Zombeteiro dos Sonhos fê-lo aclarar-se, - assim como uma cidade que despe aos primeiros raios de sol a túnica de névoas em manhãs de frio.

Vai-se largamente o sonho dilatando, mas sempre duvidoso e cinzento.

Era uma noite profunda, iluminada de estrelas. O céu muito alto era como um imenso veludo macio. - E o céu alto e a noite profunda cobriam e envolviam uma cidade estranha mas que lhe não era de todo desconhecida. Havia velhos lugares que amava e, pelos sítios conhecidos, - nem viv'alma! Apenas sombras. Caminhava e, quando era a grande fadiga e o repouso que lhe abria os braços amigos, outros braços mais fortes o impeliam e uma sinistra voz bradava: - Marcha! Marcha! - As pernas pesavam, se entorpeciam; desejos protetores de descanso inundavam-lhe o lasso corpo. À proporção que atravessava caminhos, os caminhos mudavam: eram jardins floridos e perfumados, prados extensos, longas campinas, casarios que fugiam na sombra; outras vezes, charnecas adustas e ressequidas, betesgas exalando podridão. Passou por cemitérios e à sua passagem os defuntos erguiam-se, cobertos de pó e de segredo, acompanhando-o fantasticamente por dilatados e dolorosos momentos. As árvores tomavam assombradoras formas de avejões e as estrelas, apagando-se no céu, deixavam o céu cinzento e frio como o mármore da sua sepultura tão fria e tão cinzenta. E, entretanto, no silêncio, na noite e na treva - o defunto caminhava.

De súbito, como aos olhos tontos e averiguadores do náufrago, aparece a orla branca de uma praia distante, no seu espírito cansado nasceu uma idéia feliz: aquela noite de loucura e de assombramento marcava o aniversário de sua Noiva e por data essa tão formosa haveria uma formosa festa. Devia ser tarde; ansiavam por ele. - Com uma força nova, um grande desejo de ver, de ouvir, de sentir, de querer, de palpitar, de amar e de viver banhou-lhe a alma numa cariciosa sensação de vida. Apressou o passo, correu. Mas, voltando-se para trás, julgou ver na sombra uma sombra que resvalava. Levantaram-se-lhe os cabelos, um calafrio de medo correu-lhe o corpo de alto a baixo - e partiu, assombrado, numa carreira mal segura, de perseguido. Batendo com os pés no solo, todo o solo ressoava ao contacto, como se os pés fossem de aço. Depois, com surpresa, sentiu-se leve; houve um suspiro de prazer e de alivio e, flutuando no espaço, começou a voar. Subiu; rompeu a camada cinzenta do céu e o céu tornou-se inteiramente negro. Como subisse mais alto, seus olhos extasiaram-se diante do azul, um azul, tão límpido e transparente como até hoje olhos humanos não sonharam. No alto, imensamente longe, brilhavam as estrelas no glorioso esplendor de uma imortal claridade. Muito embaixo, perto da Terra, desaparecia a Lua amorável dos poetas. Os seus olhos humanos quase cegaram fitando Sírius. - Entre as estrelas abriu-se o céu e aqueles mesmos deslumbrados olhos viram sobre os sóis o suave Jesus dos Humildes. Perto de Cristo apareceram duas sombras que se foram corporificando e nas quais o Defunto se reconheceu, a si e a sua Noiva! Ela! Mas como, se "ele" ali estava oculto contemplando a felicidade do outro "ele"! Jesus sorriu. Jesus os abençoou. E eles voaram. Ah! se ele pudesse, também seguir-lhes o vôo!... Quando quis voar, as asas se lhe desfizeram e ele caiu, rolou, precipitou-se, tocou a terra - e partiu novamente, correndo pelas estradas solitárias e ermas. Voltando o rosto viu outra vez, na treva, o mesmo vulto que o acompanhara; dominado pelo medo, correu mais, até que, numa curva do caminho, espessa sebe lhe tomou o passo. Retrocedeu, passou, assombrado, pelo vulto, que lhe estendeu os braços, e na mesma carreira fantástica, atravessou planícies, estepes nuas, estradas mortas, frias e cinzentas. Lamentou a perda das suas asas felizes e lembrou-se da sombra que não o deixava. Mas, se ele estava morto, por que o perseguiam? Cada vez mais o vulto avançava e era tão longe a casa de sua Noiva! O vulto já ia tocá-lo... - Mas ele era cadáver e na sua qualidade de morto, devia amedrontar os vivos... Voltou-se, mas quem quer que era riu-lhe diante da medrosa face. Mais intenso foi então o pavor de si mesmo e da sombra que devia ser a sua alma... E ela vinha resvalando na sombra, acompanhando-o... Estava perdido! Já não tinha mais forças! Coragem! Uma luz brilhou ao longe; oh! que deliciosa alegria ! Era a casa de sua Noiva! Mais um passo! Avante! O alguém seguia-o, quase alcançando-o; mas estava salvo! Era a casa dela, era o som da orquestra, era a luz intensa, era a salvação! Um pouco de ânimo - coragem! E antes de bater com o corpo nas lajes cinzentas e frias da sepultura, pareceu que o vulto perseguidor lhe abriu os braços. E também pareceu que eram os braços regelados da Morte...

Um raio de sol, fino e tênue, atravessava a fresta aberta na pedra.

* * *

Despertou suado, ardendo em febre. Pelo seu rosto lívido andava, molemente, uma larva. Quis gritar, mas só lhe saiu da boca um grunhido surdo que o apavorou. Abriu os braços para certificar-se da vida e na treva os braços bateram contra a parede.

Pensou, então, no seu sonho - e tristemente verificou que era, em verdade, por aqueles dias, o aniversário de sua Noiva. Que data era a de sua morte? Quem sabe se não era mesmo aquele o dia festivo! Todo o passado irrompeu, tumultuando, da sombra e ele reviu as longas horas de contemplação ou de melancolia em que todo o seu ser era um crente adorando a um ídolo. E outra vez, de repente, voltou a encarar a sua situação de morto.

Longas horas passaram; desaparecera o raio de sol; e um sino tangia ao longe, fúnebre e evocativo, os dobres que deviam ser os da Ave-Maria. O som do triste bronze, chegando a seus ouvidos, falava na vida e na liberdade A liberdade! A delícia infinita! Ah! como era doloroso morrer assim, solitário, consciente, indefeso, abandonado, sem o prazer da luta, sem o esforço da salvação! E por que o enterraram vivo? Mil vezes amaldiçoou a estupidez criminosa que o atirara à morte! Os soluços e as lágrimas rebentaram e sofrendo sem termo, e chorando sem esperança adormeceu, sem sentidos, esperando pela Morte...

* * *

Ao despertar, na manhã do outro dia, viu a fita do sol - único que lhe levava à cova a carícia de uma visita.

Admirando-se de ainda estar enterrado, quis levantar-se e sentiu que desmaiava. Tinha uma fome devoradora e uma sede que o requeimava. Ah! quarenta e oito longas, intermináveis horas sem comer, sem beber! Sem beber! Sentia o estômago vazio e gelado e a língua, ressequida, estalava. De novo quis levantar-se e de novo ficou. O dia inteiro - longo como um deserto; a noite inteira - vazia como o silêncio, ele passou, ora em profunda sonolência, ora acordado, com a ânsia estranguladora de comer e de beber

Outra vez o sol que devia ser o dia, outra vez a manhã que devia ser a vida!

O enterrado ouviu a seus pés um guincho fino; os olhos tiveram um rápido brilho de prazer e, estendendo as mãos crispadas, apanhou um rato, vivo e mole. Abrindo os lábios num sorriso que devia ser de imbecilidade, bestializado e faminto, levou o rato à boca, frio, áspero, nojento, estrebuchando e guinchando entre os dentes. Oh! mas a sede! A sede que aquela carne repulsiva aumentara ! A fome que ela fizera crescer ! - E então, num esforço hercúleo, ergueu-se; olhou a treva um instante, com um olhar profundo, calmo, parado. De repente, soltando um uivo de fera enjaulada, rasgou as roupas, dilacerou-as - e, nu, selvagem, rugindo e chorando de desespero, retalhou com os dentes a carne branca dos seus braços. O sangue brotava em ondas rubras que espumavam e ele o sorvia, atirando a cabeça de um lado para o outro, aparando-o para não perder uma gota chupando aquele sangue que corria quente espesso, vivo, garganta abaixo, descendo para o estômago crispado pela fome.

Um rugido mais rouco, dois saltos contra a parede onde repartiu a cabeça, de onde brotou mais sangue que lhe envolveu o rosto numa máscara vermelha. Enlouquecera.

Outra vez, pela última vez, subiu as escadas. Ajoelhou-se, rilhou os dentes, entrelaçou os dedos sobre as mãos, numa prece maldita - e ficou morto, imóvel, rígido e nu, coberto de sangue escarlate, como o mármore cinzento e frio da sua sepultura...



Fonte: Biblioteca Virtual - Literatura

domingo, 19 de dezembro de 2010

COMO NASCEU, VIVEU E MORREU A MINHA INSPIRAÇÂO (Raul Pompéia)



Página arrancada ao livro de lembranças de um futuro Esculápio.

Eu ia vê-la naquele dia. O dia dos seus anos! Devia estar esplendida. Ia completar o seu décimo sétimo ano de um viver de alegrias. O meu presente era simples: uma gravatinha de fita azul; mas havia de agradar-lhe. Era o meu coração quem o dava. Ela o sabia. Sabia também que o coração de um estudante não é rico. Dá pouco, mesmo quando dá... Ela desculparia.

Que noite ia eu passar! Dançaríamos muitas vezes juntos, a começar da segunda quadrilha...

Preparei-me. Empomadei-me; escovei-me; perfumei-me; mirei-me, etc., etc. Conclusão: estava chic. Mas eram cinco horas e eu não queria chegar antes das sete. Fazer-me um pouco desejado... o que é que tem?... Todavia faltava bastante tempo!... Em que ocupar-me a fim de passar essas duas longuíssimas horas? Que fazer?... Impaciência e dúvida; dois tormentos a me angustiarem...

Eu passeava pelo meu quarto, deitando vagamente uns olhares pelos meus desconjuntados móveis: aquelas minhas cadeiras, lembrando a careta de um choramigas a entortar o queixo; a mesa, gemendo sob um mundo de livros desencapados e sebentos; o meu toilette, quero dizer um velho compêndio de anatomia com uns frascos por cima e um espelho pequeno pregado na parede; a minha cama, com a coberta a escorregar languidamente para, o chão... Continuava a passear. Olhei ainda uma vez para o espelho e sorri-me, vendo lá dentro a minha gentil figura partida em quatro por duas rachaduras cruzadas no vidro... Que fazer?...

Debrucei-me na janela... Embaixo a rua, a atividade prosaica das cidades de alguma importância: idas e vindas e mais vindas do que idas, por causa da hora que era de jantar, (por tocar nisto... Eu não tinha ainda jantado. É o que me cumpria fazer; mas o meu plano era economizar um jantar, vingando-me à noite nos buffetes da menina...) Meus olhos corriam pela rua como andorinhas brincalhonas. Depois de percorrem o quarto, andavam pela rua em busca de resposta à minha pergunta: - que fazer?...

Por fim foram esbarrar no frontispício da igreja de... Começaram a subir... Brincaram nas janelas; contaram quantos vidros havia; examinaram os enfeites de arquitetura... Subiram mais, percorreram os sinos, o zimbório e foram pousar no pára-raios.

Estavam quase no céu. Daqui para ali, menos de um passo. Os olhos lá foram. Mergulharam-se erradios no azul... Que fazer?

Ora... enfim! Estava achada a resposta! Por que não veio ela mais cedo não o posso explicar.

Os meus olhos estavam no céu.

Era por uma tarde encantadora. Que cor a do firmamento nessa hora! Que abóbada incomparável a cobrir a rua!... Depois, aquelas nuvens mimosas, desfiando-se nos ares, como brancas meadas de lá nuns dedos sedutores... O sol a descambar, batendo de través na poeira levantada do chão pelos carros, que magníficas cortinas desdobravam pelas janelas das habitações velando-as como que de douradas gazes. No horizonte, por sobre a última linha de telhados e chaminés fumegantes, como se ostentavam aquelas colinas de um azulado branco feitas vapores tênues; como se recortavam sem fazer uma só volta que não fosse demorada e graciosa como as curvas de esbelto corpozinho de donzela...

Oh! Do quarto para fora, tudo o que se prendia aos céus por um raio de luz ou por uma ponta de vaporoso véu, tudo respirava poesia...

Eu achara a resposta. Que fazer?... Versos!... Feliz achado!... Um soneto ou alguns alexandrinos... qualquer cousa que desse claro testemunho do meu amor. O laço de fita com que eu ia mimosear o meu anjo era azul... Ótimo! Sobre o laço, um soneto!... Ouro sobre azul! Com certeza não dançaríamos somente (eu e ela) trocaríamos o primeiro beijo! Não esse beijo insípido que se dá a carregar aos zéfiros, entregando-se-lhes nas pontas dos dedos, mas um ósculo açucarado de lábios ardentes sobre a macieza de uma face. Um ideal realizado. Uma cousa assim como o contato com um jambo que houvesse roubado o veludo ao pêssego...

- Bravo! Já estou quase deitando verso de improviso! exclamei eu, notando a minha exaltação. Venha papel! venha pena! Cérebro, soma-te com o teu companheiro, o coração! Não brigueis desta vez como é de vosso costume... somai-vos um com o outro e vertei nesta folha de papel alguma cousa que não horrorize a Petrarca... Espírito de Dante, eu te evoco! vem com aquele fogo que em ti acendia a tua celeste Beatriz! Dirceu, corre também em meu socorro! Poetas antigos e modernos, correi todos! Musas, vinde com eles! Transportai-me nesses êxtases que vos deram a imortalidade na memória dos homens!...

Nascera-me a inspiração! Ia metrificar alguma cousa que devia maravilhar os críticos... (aparte a modéstia: isto que escrevo não é para o público). Mas eu me sentia um pouco acima de mim mesmo... Sem dúvida era essa sensação mística a que experimentam todas essas cabeças de gênio, um momento antes de dar à luz qualquer produção sublime...

Molhei a pena, com um movimento nervoso. A minha impaciência (confesso-o) não era então para chegar à casa do meu bem, era para gravar no papel aquilo que me ardia no crânio. Molhei a pena...

Oh! desgraça! A infame pena trouxe na ponta um pingo de tinta, trêmulo, ameaçador. Desviei-a violentamente... foi a minha perdição...

Olhei triste para o meu punho esquerdo... Estava descansado sobre a folha de papel, quando o pingo... Maldição!... Ainda havia pouco, tão alvo, luzidio como porcelana... então, com uma feia nódoa circular negra... negra, de quase uma polegada de diâmetro e ainda a infiltrar-se pelo linho, a tomar cada vez mais vulto!...

Pobre camisa!... estragada!... Mais pobre de mim... Esse pingo era uma catástrofe. Aquela camisa era a única. Única! Triste verdade, cujas conseqüências me desesperavam.

- Adeus, meu anjo! disse eu, sem poder engolir um soluço.

Já não me era possível ir vê-la. Nem um companheiro morava comigo. Se morasse, talvez o mal fosse remediável. Mas não! Não havia esperança!... Comprar outra? Onde? Era um domingo... Com que dinheiro?... Era num fim de mês. Não havia esperança.

Aquele beijo que sonhei num instante de ebriedade desfez-se-me no espírito como a má impressão de um R. Não era só isto. A minha ausência seria notada pela menina. O que pensaria ela?... Talvez que eu, por mesquinho, quis poupar-me a despesa de oferecer-lhe qualquer cousa...

- Quando, gritei eu, aí está o meu laço de fita de cinco mil réis...

Ainda mais. Um baile leva a uma casa tantos pelintras... quem sabe se ela não se agradaria de algum desses bolas, esquecendo-se de mim?... E teria razão. A abelha, se aqui não encontra mel, vai buscá-lo acolá...

Momentos dolorosos os que passei nessa tarde! Depois de todos os pensamentos que me assaltaram brutalmente à primeira reflexão, foi que lembrei-me do meu soneto...

- Soneto para onde tu foste?...

Mais este golpe: - a minha inspiração morrera. Eu não sentia mais a exaltação auspiciosa de alguns minutos antes. Tudo perdido! Fora-se tudo!

Eu vi e jurá-lo-ei, se me não acreditarem, eu vi essa corja do Parnaso, poetas e Musas, fugir-me do quarto! Eu vi as sirigaitas de saias arregaçadas a correr, e os idiotas irem-lhe após, sobraçando liras, como os traquinas das escolas públicas, quando disparam pelas ruas, de ardósia ao sovaco...

Nessa mesma tarde, fui à janela outra vez. Estava aflito e superexcitado. Parece-me, até, que tinha os olhos molhados. Pus-me a ver os transeuntes. Cada um que passava, para os lados na morada do objeto dos meus devaneios parecia um convidado de baile. Tortura.

Em seguida avistei a maldita torre, por onde meus olhos haviam subido ao céu que me inspirava a negregada lembrança de poetar.

Para acabar. A desgraça de que fora vítima fez-me esquecer o jantar, que positivamente era só o que eu devia perder não indo à festa. Não comi e não reparei nisso. Tornou-se inútil vingar-me da minha economia. Se neste particular não perdi, no resto ganhei.

A minha querida (soube-o depois) nem perguntou por mim na festa. Esteve alegre. Encontrou quem lhe agradasse (um sujeitinho com quem se vai casar). Melhor. Já estou consolado da desgraça, um mal que me veio para bem. Livrou-me de uma levianazinha. O aborrecimento que hoje me causam os mesmos objetos que tanto me entusiasmaram naquela tarde veio matar umas pequenas veleidades poéticas que ainda acatava. Estou descrente. Agora acabou-se... Só estudo; ergo: ganhei... Estou na expectativa de um fim de ano esplêndido.

Mais uma palavra. O laço de fita azul... guardo-o. É um talismã.

A Comédia. São Paulo, n.0 28 e 29, 4 e 5 abr. 1881.



Fonte: Biblioteca Virtual - Literatura

sábado, 18 de dezembro de 2010

O verdadeiro espírito de natal!



O natal está aí novamente, o espírito natalino está no ar. Quando chegamos às vésperas do natal, isso acomete quase todos, nós cristãos ficamos mais solícitos, mais compreensivos e amáveis. O Natal é uma data em que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Na antiguidade, o Natal era comemorado em várias datas diferentes, pois, não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus. E foi somente no século IV que o 25 de dezembro foi estabelecido como data oficial de comemoração. Na Roma antiga, o 25 de dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste fato com a oficialização da comemoração do Natal. Segundo as tradições católicas, o natal na antigidade as comemorações natalinas eram realizadas durante três dias, pois, dizia-se ser esse o período decorrido pelos três reis magos até chegarem à Belém e entregarem os presentes (ouro, mirra e incenso) ao menino Jesus. O presépio, nós todos sabemos ser uma tradição catótlica, já a árvore de natal, explicam alguns, surgiu com Martinho Lutero, por volta de 1530, na Alemanha. Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, ele utilizou velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.

Quanto ao Papai Noel, bem, o Papai Noel, um velhinho que tem encantado todas as criancinhas mundo afora. Alguns estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos, ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil dePapai Noel e em Portugal de Pai Natal. Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano. Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.

Após o breve resumo dos parágrafos acima, é possível uma reflexão sobre o natal. Para aqueles que não acreditam, o natal é uma data comercial, algo inventado para gerar riqueza aos comerciantes, como tantas outras datas. Há uma verdade nessa afirmação. O natal é uma festa inventada, pois, não se sabe ao certo o dia do nascimento de Cristo, nem a bíblia relata esse dia com exatidão. Entretanto, o espírito natalino pode ser vivido por todos os cristãos, por todos os povos. A mensagem de amor ao próximo que essa data nos trás, se bem-direcionada pode render bons frutos para o mundo.

Costuma-se comemorar o natal reunindo toda a família ao redor de uma bela mesa decorada com comidas típicas, a famosa ceia de natal. Mas isso é realmente necessário? Todo fim de ano, nas empresas e nas escolas realiza-se o famoso amigo secreto, uma festinha de confraternização. Pessoas das mais variadas classes sociais encarnam o bom velhinho e distribuem presentes aos menos favorecidos pela sociedade. Ceia de natal, amigo secreto e espírito natalino, mas isso tudo é válido? Há sentido em se comemorar, festejar e sermos amáveis em uma única data do ano? A resposta é sim, tudo isso é válido, mas, desde que seja sincero, desde que seja respaldado com o mais puro sentimento, o verdadeiro amor ao próximo.

Enquanto festejamos o natal, devemos nos lembrar que existem muitas pessoas passando fome, frio, medo, solidão, tristeza, dor e que nos cobrirmos com o manto natalino no mês de dezembro não aliviará o sofrimento de nossos semelhantes, independentemente de qual religião essas pessoas sigam. Portanto, o espírito natalino deve estar conosco durante todo o ano. Há que se fazer o bem, não importa em que data nós estejamos. Vivamos o natal! Comemoremos o natal o ano inteiro!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Se eu pudesse voltar ao passado...


Se eu pudesse voltar ao passado

Eu Voltaria à minha querida Curitiba,

Aos meus tempos de criança,

Tempos de inocência e fantasia.

Se eu pudesse voltar ao passado

Eu não voltaria à minha pré-adolescência,

Tempos de preconceitos e discriminações sofridas,

Sabem?

No Paraná, a pobreza causa muitos traumas à vida de uma inocente criança.

Se eu pudesse voltar ao passado

Eu beijaria novamente aquela mineirinha trigueira,

Até hoje eu a guardo num cantinho especial dentro de meu coração.

Se eu pudesse voltar ao passado

Eu prestaria mais atenção às aulas dos ótimos professores que tive,

Com o passar dos anos pude perceber quão tolo eu era.

Se eu pudesse voltar ao passado

Eu não seria tão mesquinho com aquele que me foi apenas um grande amigo,

Guardo comigo o arrependimento que me acompanhará até o fim dos meus dias.

Se eu pudesse voltar ao passado

Eu viveria novamente os momentos nos quais tomei decisões acertadas

E tentaria corrigir todos os meus erros,

Que não foram poucos.

Se eu pudesse voltar ao passado

Eu viveria intensamente os meus amores e as minhas amizades verdadeiras,

Amor e amizade são os maiores bens que um ser humano pode obter.

Se eu pudesse voltar ao passado

Eu voltaria! Sim eu voltaria! Eu entraria no túnel do tempo,

Há momentos em nossas vidas que merecem ser revividos...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Jean-Paul Sartre


Postei algumas reflexões de Sartre, é bom pensar, principalmente nos dias de hoje em que imperam na mídia pessoas como a mulher Melância e Serginho Malandro... analisando as frases de Sartre e outros grandes, como Max Weber e Nietzsche, tem-se a impressão de que nos tempos atuais nada se cria, tudo se copia. Vivemos num tempo de frases prontas.

"Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer."

"O que é o materialismo, senão o estado do homem que se afastou de Deus; (...) ele passa unicamente a preocupar-se com os seus interesses terrestres."

"Não há necessidade de grelhas, o inferno são os outros."

"Cada homem deve inventar o seu caminho."

"O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter."

"Um homem não pode ser mais homem do que os outros, porque a liberdade é semelhantemente infinita em cada um."

"A desordem é o melhor servidor da ordem estabelecida."

"Falamos na nossa própria língua e escrevemos numa língua estrangeira."

"Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo."

"Se os comunistas têm razão, então eu sou o louco mais solitário em vida. Se eles estão errados, então não há esperança para o mundo."

"Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana , os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem."

"O homem deve ser inventado a cada dia."

"Ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode."

"O que não é terrível não é sofrer nem morrer, mas morrer em vão."

"Um homem não pode ser mais homem do que os outros, porque a liberdade é igualmente infinita em todos."

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Gandhi e Liu Xiaobo, dois grandes símbolos da paz.

O nome dele era Mohandas Karamchand Gandhi. Mahatma, que significa "grande alma", era o título que lhe deram. Gandhi foi filósofo, patriota e o criador do movimento de independência nacional da Índia. Inspirado pelo mandamento hindu "ahimsa", que estimula o respeito pela vida, pelo sermão da montanha, pelos ensinamentos de John Ruskin e Leon N.Tolstoi, este advogado formado na Inglaterra inicia a luta contra o colonialismo na África do Sul (então britânica) defendendo a igualdade de direitos da população indiana naquele país. Em 1894 funda o Natal Indian Congress e põe em prática seus métodos de resistência pacífica. Em 1914, de volta à Índia, organiza o movimento de resistência e de independência contra o poder colonial britânico. Pertencendo à casta dos vaishyas (comerciantes), Gandhi defende a moderação das divergências entre as castas e o fim do confronto entre muçulmanos e hindus. Dirige o Partido do Congresso desde 1920 e torna-se seu líder espiritual, conservando esse status mesmo depois de sua demissão, em 1934. Além de organizar o movimento popular contra os interesses britânicos na Índia, de apelar à desobediência civil e de promover a não cooperação com os ingleses, Gandhi intervém de maneira exemplar em numerosos conflitos, fato que o conduz ao cárcere por diversas ocasiões, onde prossegue a luta fazendo greve da fome. Durante a Segunda Guerra Mundial, Gandhi defende a neutralidade total. É um dos iniciadores do movimento "Quit India" (Deixem a Índia), que, em 1942, exige o fim imediato da dominação britânica. No final da guerra, sua política tem sucesso: a Inglaterra concede finalmente a independência à Índia em 1947, ainda que a unidade do território colonial seja sacrificada, com a formação do Estado muçulmano do Paquistão. Sem conseguir superar as divergências entre hindus e muçulmanos, Gandhi é assassinado em 1948 por um hindu fanático.

Liu Xiaobo (nascido em 1955, na China) é um ativista dos direitos humanos que reclamou publicamente a necessidade de o governo da China responder por suas ações. Ele já foi detido, preso e condenado repetidas vezes por suas atividades políticas pacíficas, a começar por sua participação nos Protestos da Praça da Paz Celestial, e em quatro outras ocasiões desde então. Em janeiro de 1991, Liu Xiaobo foi condenado sob acusação de "propaganda contrarrevolucionária e incitação", mas foi isento de punição criminal. Em outubro de 1996, ele foi condenado a três anos de reeducação pelo trabalho, sob acusação de "perturbar a ordem pública", por ter criticado o Partido Comunista da China. Em 2007, Liu foi detido por um curto período e interrogado pela publicação de artigos na internet, em páginas de servidores fora do território da República Popular da China. Sua última condenação, em 2009, gerou protestos de todo o mundo. Ele foi condenado a 11 anos de prisão por organizar um abaixo-assinado, a Carta 08, um documento baseado na Carta 77 tchecoslovaca, em que ativistas de direitos humanos cobravam maior liberdade de expressão na China. O ativismo político de Liu recebeu reconhecimento internacional. Em 2004, a ONG Repórteres sem Fronteira entregou-lhe o Prêmio Fondation de France, por defender a liberdade de imprensa. Em 2010, Liu recebeu o Prêmio Nobel da paz por sua atuação em defesa dos direitos humanos.

Responda-me quem souber: Em que são iguais e no que diferem? Um Nobel para quem acertar!

Ao lermos o texto podemos perceber que a semelhança entre os dois está na atitude, em seus atos. Gandhi lutou e Liu Xiaobo ainda luta em prol da liberdade de seus povos. Ambos os dois destacam-se por agirem sem violência, está em seus currículos a não-violência. A diferença está na maior injustiça já cometida na face da terra em tempos modernos. Liu Xiaobo ganhou um Nobel da paz e Gandhi, a despeito de ser o maior nome do século XX, não foi contemplado com o mesmo prêmio. Não sei o que pensar a respeito, quando o maior de todos não ganhou, acho que este prêmio perde um pouco do crédito. Não acham?

Fonte: Wikipédia -
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_390.html

E se o mundo acabar em 2012?


O Popol Vuh é um dos poucos livros que restaram da civilização maia. De acordo com este livro estamos vivendo atualmente no quarto estágio da criação. Nas primeiras três criações os deuses falharam, mas a quarta tentativa foi bem sucedida e esta fase terminará no começo do 13º b'ak'tun.

A criação anterior terminou em uma contagem longa de 12.19.19.17.19. Um outro, 12.19.19.17.19, ocorrerá em 20 de dezembro de 2012, seguido pelo começo do décimo quarto b' ak' tun, 13.0.0.0.0, que será em 21 de dezembro de 2012.

Não se pode duvidar da capacidade astronômica deste povo que sem os instrumentos do século XVI da Europa conseguiram calcular um ano solar de 365,2420 dias. Mais exatos e pioneiros que os europeus. Entretanto, as profecias dos maias podem ser interpretadas como uma nova era para a humanidade e não o seu extermínio, já que existem inscrições de previsões até para o ano de 4.772, por exemplo.

O dia 21 de dezembro de 2012 marca a transição do ciclo definido pelo calendário Maia. Muitos acreditam que isso se traduzirá em desastres e cataclismos naturais - algo muito próximo do que crêem os cristãos sobre o Juízo Final. Outros acreditam que essa data marcará o fim da ênfase materialista da civilização ocidental elevando os povos para outro patamar de vivência na terra. De qualquer modo, as especulações sobre a natureza dessa previsão estão se aproximando cada vez mais da ciência, mais particularmente das transformações que ocorrem ciclicamente com as irradiações solares.

Previsões à parte, o que você faria se o mundo acabace em 21 de dezembro de 2012? O que você sentiria no ano em questão? Você já parou para pensar no assunto? Pois, então pense, algumas interpretações assustam!

Confesso que não acredito nisso, tantas previsões caíram com o passar dos anos. Mas, se o mundo acabasse realmente, eu não imagino qual seria a minha reação. É algo para se pensar, já que por mais que tenhamos vivido sempre nos faltará algum projeto a ser executado. Alguma situação que pretendíamos e ainda pretendemos realizá-las. Confesso que em poucos meses, poucos dias ou em poucas horas não daria para eu fazer muita coisa. Talvez eu fizesse a que me fosse mais importante no momento. Pense a respeito comece a se preparar para o ano de 2012. Se você acreditar nisso, é claro.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Barack Obama ainda não fracassou.

Chegou-se a metade de seu mandato, mas já surgiram críticas a seu governo. Insatisfações surgiram entre a mídia especializada e, como era de se esperar, o levante contrário a Obama veio de alguns setores da sociedade. Para se entender o porquê das críticas é necessário que conheçamos o currículo de Barack Obama. Primeiro é preciso analisar em que situação se encontrava a maior nação do planeta.

Barack Hussein Obama II (Honolulu, 4 de agosto de 1961) é um advogado e político nos Estados Unidos, o quadragésimo quarto e atual presidente do país, desde 20 de janeiro de 2009, e o Nobel da Paz de 2009. Sua candidatura foi formalizada pela Convenção do Partido Democrata em 28 de agosto de 2008. Até então, era senador pelo estado de Illinois. Obama foi o primeiro negro (afro-americano nos parâmetros norte-americanos) a ser eleito presidente estadunidense. Graduou-se em Ciências Políticas pela Universidade Columbia em Nova Iorque, para depois cursar Direito na Universidade de Harvard, graduando-se em 1991. Foi o primeiro afro-americano a ser presidente da Harvard Law Review.

Obama atuou como líder comunitário e como advogado na defesa de direitos civis até que, em 1996, foi eleito ao Senado de Illinois (Órgão integrante da Assembléia Geral de Illinois, que constitui o poder legislativo local), mandato para o qual foi reeleito em 2000. Entre 1992 e 2004, ensinou direito constitucional na escola de direito da Universidade de Chicago. Tendo tentado, em 2000, eleger-se, sem sucesso, ao Congresso dos Estados Unidos, anunciou, em janeiro de 2003, sua candidatura ao Senado dos Estados Unidos. Após vitória na eleições primárias, foi escolhido como orador de honra para a Convenção Nacional do Partido Democrata em julho de 2004. Em novembro, foi eleito Senador dos Estados Unidos pelo estado de Illinois com 70% dos votos.

Em 4 de janeiro de 2005 assumiu o atual mandato, o qual tem duração até 2011. Como membro da minoria democrata no período entre 2005 e 2007, ajudou a criar leis para controlar o uso de armas de fogo e para promover maior controle público sobre o uso de recursos federais. Neste período, fez viagens oficiais para o Leste Europeu, o Oriente Médio e África. Na atual legislatura, contribuiu para a adoção de leis que tratam de fraude eleitoral, da atuação de lobistas, mudança climática, terrorismo nuclear e assistência para militares americanos após o período de serviço. Recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2009. Após a derrota nas eleições intercalares do dia 2 de Novembro de 2010, Obama caiu para a segunda posição como uma das pessoas mais poderosas do mundo, pesquisa que é feita pela revista Forbes. No dia 4 de Novembro de 2010 que até então liderava esse ranking, o chinês Hu Jintao foi escolhido a pessoa mais poderosa do mundo.

Analisando friamente os seus feitos, a conclusão é a seguinte: O currículo de Barack Obama é médio para os padrões norte-americanos. Médio se o compararmos aos demais colegas de profissão. Na política americana este perfil é de um político mediano. Mas isso não o desqualifica para exercer o mais alto cargo do país. Ronald Reagan, por exemplo, foi ator antes de ser político e um ator medíocre.

O grande problema para Barack Obama é a espectativa que se criou em torno de sua administração. Quando se é visto como um salvador da pátria, a frustração é ainda maior. Mas o que fez Barack Obama para desapontar os norte-americanos? Nada, apenas uma administração comum. Uma política pé no chão. A imensa crise pela qual passam os Estados Unidos da América não foi invenção dele. Uma consequência de erros cometidos anteriormente a ele, foram as responsáveis por tudo que está acontecendo hoje. Bem ou mal, ele está tentando. Na saúde pública e nas guerras, foi ele o primeiro presidente de coragem a enfrentar esse problema.

A história nos ensina que para se levantar uma nação combalida é preciso plantar para colher depois. Foi assim na Inglaterra de Margaret Thatcher (A Dama de Ferro), os proprios americanos nos deram um exemplo com Ronald Reagan e no Brasil as medidas necessárias ao crescimento foram implantadas durante a era FHC. Essa ilusão vendida aos incautos de que plantamos num ano e colhemos no outro é a mais deslavada mentira. Leva-se um, dois ou talvez até três mandatos para que se comece a colher os tão almejados frutos. Em todos os casos citados aqui, a onda de prosperidade surgiu nos governos posteriores. Na Inglaterra os frutos colhidos foram parar nas de John Major. Nos Estados Unidos da América, o homem da colheita foi Bill Clinton. Aqui em terras tupiniquins, bem, nós sabemos quem colheu e soube como ninguém se beneficiar dos louros da fama. Para o bem da igualdade entre as raças, para o bem do povo que teve a coragem de eleger um “negro” para a presidência dos Estados Unidos da América. Para que o mundo não perca os avanços obtidos com essa eleição. Neste momento da história é necessário que Obama trabalhe e depois a própria história o julgará. Para sintetizarmos o que o povo americano deve fazer agora, encerro este texto com uma frase de um dos maiores estadistas de todos:

“Nunca devemos mudar de cavalo no meio do rio”.

Abraham Lincoln





Fonte: wikipédia

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um conto de natal (Texto de autor desconhecido)



É apenas um pequeno envelope branco pendurado entre os galhos da nossa árvore de Natal.
Não tem nome, não tem identificação, não tem dizeres. Se esconde entre os galhos da nossa árvore há cerca de dez anos. Tudo começou porque meu marido Mike odiava o Natal. Claro que não era o verdadeiro sentido do Natal, mas seus aspectos comerciais: gastos excessivos, a corrida frenética na última hora para comprar uma gravata para o tio Harry e o talco da vovó, os presentes dados com uma ansiedade desesperada porque não tínhamos conseguido pensar em nada melhor.

Sabendo como ele se sentia, um certo ano decidi deixar de lado as
tradicionais camisetas, casacos, gravatas e coisas no gênero. Procurei algo especial só para o Mike. A inspiração veio de uma forma um tanto incomum. Nosso filho Kevin, que tinha 12 anos na época, fazia parte da equipe de luta livre da sua escola. Pouco antes do Natal, houve um campeonato especial contra uma equipe patrocinada por uma igreja da parte mais pobre da cidade. A equipe era formada, em sua maioria, por negros. Esses jovens, que usavam tênis tão velhos que tínhamos a sensação de que os darços eram a única coisa que os segurava, contrastavam de forma gritante com nossos filhos, vestidos com impecáveis uniformes azuis e dourados e tênis especiais novinhos em folha.

Quando o jogo começou, fiquei preocupada ao notar que a outra equipe estava lutando sem o capacete de segurança que tinha como intuito proteger os ouvidos dos lutadores. Era um luxo ao qual a equipe dos pé-sujos não podia se dar. No fim das contas, a equipe da escola do meu filho acabou arrasando com eles. Ganharam em todas as categorias de peso.

E cada um dos meninos da outra equipe que levantava do tatame se virava com fúria, fazendo pose de valente, procurando mostrar um orgulho de quem não ligava para a derrota. Mike, que estava sentado ao meu lado, balançou a cabeça, triste:

Queria que pelo menos um deles tivesse ganhado, disse.
Eles têm muito potencial, mas uma derrota dessas pode acabar com o ânimo
deles.

Mike adorava crianças - todas as crianças - e as conhecia bem, pois tinha sido técnico de times mirins de futebol, basquete e vôlei. Foi aí que tive uma idéia para o presente dele. Naquela tarde, fui a uma loja de artigos esportivos e comprei capacetes de proteção e tênis especiais que enviei, sem me identificar, à igreja que patrocinava a equipe adversária. Na véspera de Natal, coloquei o envelope na árvore com um bilhete dentro, contando ao Mike o que tinha feito e que esse era o meu presente para ele. O mais belo sorriso iluminou o seu rosto naquele Natal. Isso se deu em todos os anos consecutivos.

A cada Natal, eu seguia a tradição: uma vez comprei ingressos para um jogo de futebol para um grupo de jovens com problemas mentais, outra vez enviei um cheque para dois irmãos que tinham perdido a casa num incêndio na semana antes do Natal e assim por diante. O envelope passou a ser o ponto alto do nosso Natal. Era sempre o último presente a ser aberto na manhã de Natal. Nossos filhos, deixando de lado seus novos brinquedos, ficavam esperando ansiosamente o pai pegar o envelope da árvore e revelar o que havia dentro.

As crianças foram crescendo e os brinquedos foram sendo substituídos por presentes mais práticos, mas o envelope nunca perdeu seu encanto. Esse conto não acaba aqui. Perdemos nosso Mike ano passado por causa de um câncer. Quando chegou a época do Natal, eu ainda estava sofrendo tanto que mal consegui montar a árvore. Mas, na véspera de Natal, me vi colocando um envelope na árvore. Na manhã seguinte, havia mais três envelopes junto a ele. Cada um de nossos filhos, sem o outro saber, tinha colocado um envelope na
árvore para o pai.

A tradição cresceu e, um dia, se expandirá ainda mais e nossos netos se
reunirão em volta da árvore, ansiosos para saber o que há no envelope
retirado da árvore por seus pais. O espírito de Mike, assim como o espírito do Natal, estará sempre conosco. Vamos todos lembrar de Jesus, que é o motivo dessa comemoração e o
verdadeiro espírito do Natal este ano e sempre

Autor Desconhecido

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Amanhã pode ser tarde demais.


Não deixe para amanhã!
Amanhã pode ser muito tarde
para você dizer que ama,
para você dizer que perdoa,
para você dizer que desculpa,
para você dizer que quer tentar de novo...

Amanhã pode ser muito tarde
para você pedir perdão,
para você dizer: “Desculpe-me, o erro foi meu!...”

O seu amor, amanhã, pode já ser inútil.
O seu perdão, amanhã, pode já não ser preciso.
A sua volta, amanhã, pode já não ser esperada.
A sua carta, amanhã, pode já não ser lida.
O seu carinho, amanhã, pode já não ser mais necessário.
O seu abraço, amanhã, pode já não encontrar outros braços...
Porque amanhã pode ser muito... muito tarde!

Não deixe para amanhã, dizer:
“Eu amo você!” - “Estou com saudades de você!”
“Perdoe-me!” - “Desculpe-me!”
“Esta flor é para você!” - “Você está tão bem!...”

Não deixe para amanhã
O seu sorriso, o seu abraço, o seu carinho,
O seu trabalho, o seu sonho, a sua ajuda...

Não deixe para amanhã, perguntar:
“Por que você está triste?” - “O que há com você?”
“Ei!...Venha cá, vamos conversar...” - “Cadê o seu sorriso?”
“Ainda tenho chance?...” - “Já percebeu que eu existo?”
“Por que não começamos de novo?”
“Estou com você.” - “Sabe que pode contar comigo?”
“Cadê os seus sonhos?” - “Onde está a sua garra?...”

Lembre-se:
Amanhã pode ser tarde...muito tarde!
Procure. Vá atrás! Insista!
Tente mais uma vez!
Só hoje é definitivo!
Amanhã pode ser tarde...



Donetzka Cercck Lavrak Alvarez

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Três décadas sem John Lennon.

John Lennon, Paul MacCartney, George Harrisson e Ringo Star. Jovens brilhantes que formaram nada mais nada que os Beatles, a maior banda de rock de todos os tempos. Eles revolucionaram a música mundial. Eles revolucionaram o mundo. Dentre esses jovens, um deles se fez notar com o seu engajamento pela paz. Este jovem era John Lennon.

John Lennon não possuía uma voz brilhante, não era e nunca foi um cantor extraordinário, mas era um compositor magnífico. Suas belas composições passaram a fazer parte da vida de muitas gerações. Fãs dos Beatles e do John Lennon existem em todas as faixas etárias até os dias de hoje.

Depois de brilhar nos Beatles, John percebeu que era chegada a hora de deixar a banda, sua saída foi no ano de 1969 e com isso foi decretado o fim da banda em 1970. A sua carreira solo deslanchou e juntamente com sua amada Yoko Ono. Os últimos dez anos de sua vida foram marcados, sobre tudo, pelo ativismo político em nome da paz. Para se ter uma idéia, ele chegou ao ponto de devolver sua medalha de Membro do Império Britânico à Rainha da Inglaterra, como forma de protesto contra o apoio dos ingleses à guerra do Vietnã. Justamente pelo seu envolvimento direto em questões de paz é que deu a John Lennon um vasto campo para criação musical, claro, ele não foi inspirado apenas por questões políticas, havia o amor em sua vida, Yoko Ono foi sua grande musa inspiradora. A bela canção Woman está aí para nos deleitarmos.

John Winston Lennon (Liverpool, 9 de outubro de 1940 – Nova Iorque, 8 de dezembro de 1980). A morte de John Lennon faz exatos trinta anos. Nesta data fatídica John Lennon foi assassinado por Mark David Chapman, quando retornava junto de sua mulher do estúdio de gravação de seu último álbum. Assim como o Elvis Presley e Michael Jackson, John Lennon foi eternizado por sua morte precoce. O homem se foi, mas o ídolo permanece entre nós, suas mensagens rodam o mundo através de suas belas canções. Dentre as composições de destaque de John Lennon (creditadas a Lennon/ McCartney) estão "Help!", "Strawberry Fields Forever" e "All You Need Is Love", "Revolucion", "Lucy in the Sky with Diamonds", "Come Together", "Across the Universe, "Don´t Let Me Down" e na carreira solo "Imagine", "Instant Karma! ", "Happy Xmas (War Is Over) ", "Woman", "(Just Like) Starting Over" e "Watching the Wheels". “Image”, uma canção utópica. Nesta canção, John Lennon deseja um mundo de sonhos, que sabe ele ser impossível de ser alcançado, pois, a racionalidade humana não permite isso.



Imagine

Imagine não haver o paraíso
É fácil se você tentar
Nem inferno abaixo de nós
Acima de nós, só o céu
Imagine todas as pessoas
Viver por hoje

Imagine não haver nenhum país
Não é difícil imaginar
Nenhum motivo para matar ou morrer
E nem religião, também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você se junte a nós
E o mundo viverá como um só

Imagine não haver posses
Eu me pergunto se você consegue
Sem a necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade dos homens
Imagine todas as pessoas
Partilhando todo o Mundo

Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você se junte a nós
E o mundo será como um só

Clip

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Bill Murray, um talento injustiçado.

Ator e humorista norte-americano, William James Bill Murray (21 de setembro de 1950) é um homem injustiçado no meio artístico. Este ator tem em seu currículo uma gama de filmes e entre eles alguns sucessos de público e de crítica também. Bill Murray participou de inúmeros filmes, como já citado, mas o ator nunca conseguiu o verdadeiro reconhecimento da crítica especializada. Há canastrões que conseguem o estrelato sem merecê-lo, pois, têm o carisma que cativa as massas, mesmo sem o talento necessário para tal. Bill Murray traçou uma rota contrária aos canastrões, ou seja, ele possui o talento, mas o carisma, bem, esse ele não o possui em seu favor. Talvez seja esse o motivo de um ator de seu quilate ser tão criticado ao longo de sua carreira.

Para demonstrar o tamanho do talento de Bill Murray poder-se-ia descrever todas as suas atuações, mas é bom que fiquemos centrados em uma apenas. "O fio da navalha". No longa-metragem, ele encarna um verdadeiro Marlon Brando. ”O fio da navalha”, a história de um homem em busca de si mesmo. Adaptação de grande clássico do cinema mundial. Bill Murray tem uma performance monumental ao interpretar o personagem principal, algo digno de uma estatueta do Oscar. Não contarei a história, mas esta brilhante adaptação acompanhada por uma atuação inesquecível de Bill Murray faz com que o filme nos toque o coração. Trata-se de um filme raro de se encontrar nas locadoras. Sugiro que não percam a oportunidade de assistir ao belo” O fio da navalha”.

Alguns filmes em que Bill Murray nos presenteia com seu extraordinário Dom:

2009 - Zumbilândia

2009 - O Fantástico Sr. Raposo

2008 - Agente 86

2007 - Viagem a Darjeeling

2006 – Garfield 2

2006 – A cidade perdida

2005 – Flores partidas

2004 – A vida marinha com Steve Zissou

2004 – Garfield

2004 – Falando de sexo

2003 – Sobre café e cigarros

2003 – Encontros e desencontros

2001 – Os excêntricos Tenembaums

2001 – Osmose Jones

2000 – As panteras

2000 – Hamlet

1999 – O poder vai dançar

1998 – Três é demais

1998 – Entre amigos

1998 – Garotas selvagens

1997 – O homem que sabia de menos

1996 – Space Jam - o jogo do século

1996 – Kingpin – Estes loucos reis do Boliche

1993 – O feitiço do tempo

1991 – Nosso querido Bob

1990 – Não tenho troco

1989 – Os caça-fantasmas 2

1988 – Os fantasmas contra-atacam

1984 – O fio da navalha

1984 – Os caça-fantasmas

1984 – Nada é eterno

1982 – Tootsie

domingo, 5 de dezembro de 2010

O “Palhaço” Tiririca chegou lá!



Nesta última eleição houve um caso que nos chamou a atenção. A eleição de Tiririca. Sim, ele mesmo, o comediante nordestino que ficou famoso no sul do Brasil com um estrondoso sucesso, Florentina. Tiririca, nome artístico de Francisco Everardo Oliveira Silva, nascido em Itapipoca em 1º de maio de 1965. Além de comediante este rapaz é “compositor e cantor”. Com trejeitos que lhe são peculiares, ele faz um enorme sucesso em todo o país. Com 1.348.295 votos, Tiririca foi o segundo deputado mais votado em toda a história do estado de São Paulo.

“O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”. Engraçado? Tem mais. “Pior do que tá não fica, vote em Tiririca”. Com bordões como estes nosso artista popular chegou lá! É claro que além de Tiririca havia mais personalidades de peso nas listinhas dos políticos pendurados com o povão, mas quem aceitou foi ele, Tiririca. Um homem atraindo uma enormidade de votos dessa, ele leva de arrasto pelo menos uns quatro cidadãos na sua aba. Foi o que aconteceu, cidadãos sujos que não conseguiriam se reeleger. Eles voltarão a Brasília, graças a nossa forma de eleição, graças as nossas regras eleitorais.

O coitado enfrentou perseguição por parte do ministério público. Primeiro, pela maneira irônica e sarcástica na qual ele conduziu a sua campanha. Depois foi a sua condição de semi-analfabeto. Em ambos os casos, a alegação era de que o agora “nobre cidadão” não preenchia os requisitos exigidos para sentar-se numa cadeira de deputado federal. Será?

Num estado democrático de direito todo cidadão pode concorrer a uma vaga seja para o legislativo ou executivo. Que fique bem clara a minha afirmação. Repito: Num estado democrático de direito... Mas apesar de a nossa constituição ser uma das melhores do mundo, no episódio Tiririca fica evidente, que nós ainda não alcançamos a maturidade democrática.

Pela lógica democrática, todos os cidadãos partilham dos mesmos direitos. Antigamente com as democracias ainda incipientes havia distorções absurdas como: Votos proibidos para mulheres, negros e analfabetos. – Mas os tempos são outros e é chegado o momento de o Brasil mostrar ao mundo que é uma República Democrática de fato e não apenas nas palavras.

A Itália nos deu um belo exemplo, elegendo Cicciolina para o parlamento italiano. Todos nós sabemos a profissão da senhora em questão. As mais diversas classes sociais podem e devem ser representadas em todas as esferas do poder. Claro que a representatividade se faz pertinente no parlamento ou congresso. No judiciário é fora de propósito utilizar as mesmas regras uma vez que ali é exigido do candidato, notório saber jurídico.

Promotores e juízes, fiquem tranqüilos, pois, do gabinete do ilustre deputado Tiririca não sairá nenhum absurdo, nenhuma lei incompreensível, já que todos os “ilustrados senhores” do congresso nacional têm ao seu dispor assessores competentes para redigirem seus discursos e suas leis. Este não é o problema. Enquanto houver voto proporcional no Brasil, os políticos se utilizarão de meios não muito convencionais para se perpetuarem no poder. A necessidade de uma reforma política é urgente. O Brasil precisa, o povo precisa. Portanto, deixem o rapaz em paz. Veremos o que ele tem para nos mostrar. Desprendam-se de seus preconceitos. Brindemos todos nós! Um brinde à democracia brasileira!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Canções que deixam marcas.

Todos nós temos canções que marcam e marcaram nossas vidas. Vocês já pararam para pensar que sempre há uma canção ligada a algum episódio marcante de nossas vidas? Pois é, estive pensando a respeito e a constatação é que em momentos felizes, tristes e importantes sempre têm uma canção símbolo para que os recordermos.

Talvez seja por isso que os mais belos filmes, inevitavelmente, são lembrados por grandes canções. Canções que ficam na nossa memória. É só ouvirmos a canção que nos lembramos do filme, do momento vivido, das alegrias, das angustias por que passamos.

A arte é a forma de expressarmos os sentimentos e também a melhor forma de recordarmos esses sentimentos. Através da arte o homem consegue externar o seu interior, o seu âmago. Através da arte os povos se identificam, mostram sua origem. E é na música que cada ser humano consegue se identificar, falo na identificação pessoal. Penso que não exista uma pessoa que não tenha a sua canção predileta, aquela em que se identifica, aquela na qual ela possa recordar o seu momento mais importante. O momento que ficou eternizado numa bela canção.

Namoros, amigos, situações boas e ruins, momentos e épocas passadas, para tudo isso temos uma canção. Eu tenho as minhas canções e você tem as suas?




Gerci Monteiro de Freitas

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O que será (Chico Buarque de Holanda)

Esta poesia/música de Chico Buarque de Holanda é uma obra prima da literatura e da cultura POP brasileira. O autor em questão sabia como ninguém protestar sem ser percebido pela ditadura militar.

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

Amor, paixão e cara metade, o que você procura?

Todos concordam que amor e paixão são sentimentos bem diferentes. O amor é um sentimento perene, ou seja, dura muitos anos e nos leva a ter o desejo de que esse amor seja eterno. Eternidade desse amor, tão belo e tão bom para todos àqueles que passaram, que passam ou vão passar por esse tipo de sentimento algum dia. A paixão é diferente, ela chega como se fosse uma bomba a cair sobre nossos corações. Na paixão vivemos tudo que poderíamos viver no amor, mas efemeramente. Intensidade total, assim nós definimos a paixão na maioria das vezes.

Sempre ouço as pessoas dizerem que estão à procura de sua cara metade. Bem, aí eu não concordo com essa afirmação. Para mim definição de cara metade seria procurarmos por nós mesmos. Já imaginaram se encontrássemos uma pessoa que nos refletisse como espelho do que somos? Os mesmos gostos, os mesmos hábitos, os mesmos vícios. Acho que seria muito chato nós termos ao nosso lado uma pessoa que agisse exatamente como nós agimos, pensem a respeito. Homem ou mulher que está à procura de amor. Essa pessoa está querendo alguém que a complete, mas não no sentido de cara metade e sim no sentido de um belo relacionamento e que tenha o carinho, o respeito e principalmente o amor incondicional pela pessoa amada.

Sentimentos, desejos e emoções provocados pelo amor e pela paixão são o que de melhor pode ocorrer na vida de um ser humano. Todos nós precisamos de um grande amor e às vezes de paixões avassaladoras, mas nunca procurem uma cara metade e sim um amor verdadeiro. A escolha é de vocês. Se procurarem uma cara metade talvez a encontrem, mas creio que ficarão só na paixão e não conseguirão um grande amor.